Blog da Magda Vieira; Nutrição, Saúde e Bem-Estar

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Alimentação Complementar



Quando e quais alimentos devem ser introduzidos




A alimentação da criança desde o nascimento e nos primeiros anos de vida tem repercussões ao longo de toda a vida do indivíduo (MONTE; GIUGLIANI, 2004). A alimentação adequada até os dois anos de idade é fundamental para promover o crescimento e o desenvolvimento apropriados da criança. Até os seis meses de vida, o leite materno deve ser a única fonte alimentar, pois sozinho é capaz de nutrir adequadamente as crianças, além de favorecer a proteção contra doenças. Porém, a partir desse período, a complementação do leite materno é necessária para elevar a densidade energética da dieta e aumentar o aporte de micronutrientes (SILVA; VENÂNCIO; MARCHIONI, 2010).


É apenas a partir dos seis meses de idade que as necessidades nutricionais do lactente não podem ser supridas apenas pelo leite humano. É a partir dessa idade que a maioria das crianças atinge um estágio de desenvolvimento geral e neurológico (mastigação, deglutição, digestão e excreção), que a possibilita receber outros alimentos que não o leite materno (MONTE; GIUGLIANI, 2004).

Todos os alimentos, sólidos ou semi-sólidos oferecidos às crianças, com exceção do leite materno, são definidos como alimentos complementares. O Ministério da Saúde, em concordância com a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera como alimentação complementar a introdução de alimentos sólidos ou semi-sólidos, de densidade energética mínima de 70 kcal/100mL entre os seis e sete meses (SILVA; VENÂNCIO; MARCHIONI, 2010). Os alimentos complementares são representados geralmente pelos cereais, frutas, legumes, verduras e raízes, além dos grupos das carnes, gorduras e ovos (OLIVEIRA e cols.,2005).



A alimentação complementar adequada deve compreender uma composição equilibrada de alimentos com quantidade adequada de macro e micronutrientes (com destaque para ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e ácido fólico), livres de contaminação de fácil consumo e aceitação, com custo aceitável e preparados a partir de alimentos habitualmente consumidos pela família (CASTILHO; FILHO, 2010).

A introdução de novos alimentos deve ser gradual, com intervalos de três a sete dias, a fim de identificar possíveis reações alérgicas após a ingestão. A introdução precoce dos alimentos pode ser desvantajosa, pois além de reduzir a duração do aleitamento materno, pode interferir na absorção de nutrientes importantes neste leite, como o ferro e o zinco, e está relacionada à maior ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta. Esta adequação nutricional dos alimentos complementares é fundamental na prevenção de morbimortalidade na infância, incluindo a desnutrição e o sobrepeso (DIAS; FREIRE; FRANCESCHINI, 2010).

Introduzir os alimentos complementares tardiamente também não é recomendável, pois pode ocorrer um retardo no crescimento da criança, aumentando o risco das deficiências nutricionais. Em casos individuais, a iniciação de alimentação complementar antes de seis meses pode ser recomendada, em especial quando as crianças não apresentam o crescimento satisfatório com amamentação exclusiva (SILVA; VENÂNCIO; MARCHIONI, 2010). 



A introdução precoce de alimentos inadequados, como o leite de vaca integral; consistência inapropriada e baixa densidade e biodisponibilidade de micronutrientes; oferta insuficiente de frutas, verduras e legumes; contaminação no preparo e armazenamento; acréscimo de carboidratos simples às mamadeiras; e oferta de alimentos industrializados ricos em carboidratos simples, lipídeos e sal, são consumidos com frequência por diversas famílias, sendo assim oferecidos para as crianças, comprometendo a alimentação complementar e incentivando o desenvolvimento de hábitos errôneos (CAETANO e cols., 2010).

As estimativas da energia a ser fornecida pelos alimentos complementares, segundo as novas recomendações da OMS para as crianças menores de dois anos, em países desenvolvidos e em aleitamento materno, são de 200 kcal/dia dos 6 a 8 meses, 300 kcal/dia de 9 a 11 meses e 550 kcal dos 12 aos 23 meses. Essas recomendações diferem das dos países industrializados devido às diferenças na ingestão média do leite materno, sendo definidas em 130, 310 e 580 kcal/dia, respectivamente  (DIAS; FREIRE; FRANCESCHINI, 2010).

A OMS recomenda ainda a suplementação medicamentosa com sulfato ferroso para crianças de 6 a 23 meses que não tenham acesso a alimentos fortificados com ferro, ou em populações nas quais a prevalência de anemia é superior a 40% (DIAS; FREIRE; FRANCESCHINI, 2010).

No Brasil, o Ministério da Saúde, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), elaborou as recomendações alimentares para crianças menores de dois anos, denominada “Os dez passos para uma alimentação saudável das crianças menores de dois anos”. Esse guia objetiva promover as práticas alimentares saudáveis de crianças pequenas (DIAS; FREIRE; FRANCESCHINI, 2010).

Para atender às necessidades de minerais da criança, é preciso oferecer uma variedade de alimentos complementares com alta densidade de nutrientes. Dos 9 aos 11 meses de idade, a proporção de minerais a ser fornecida pelos alimentos complementares é alta, de 97% para ferro, 86% para zinco, 81% para fósforo, 76% para magnésio, 73% para sódio e 72% para cálcio materno. A densidade de ferro recomendada nos alimentos complementares é de 4mg/100 kcal dos 6 aos 8 meses, de 2,4 mg/100 kcal dos 9 aos 11 meses e de 0,8 mg/100 kcal dos 12 aos 24 meses (MONTE; GIUGLIANI, 2004).



O leite materno é o melhor alimento para o lactente, entretanto, diante da impossibilidade da amamentação, deve-se optar por uma fórmula adequada ao grupo etário, uma vez que as fórmulas apresentam variações de acordo com suas necessidades. Essas fórmulas são mais caras do que o leite de vaca não modificado, em pó ou líquido. O leite de vaca não modificado é inadequado para lactentes menores de 1 ano, pois tem altas taxas de proteína e inadequada relação entre a caseína e as proteínas do soro, elevados teores de sódio, cloretos, potássio e fósforo, quantidade insuficiente de carboidratos, baixos teores de ácidos graxos essenciais (linoleico e linolênico), vitaminas C, D e E, ferro, zinco, cobre e selênio. Essas inadequações prejudicam a digestão e a absorção, levam ao baixo ganho ponderal, sobrecarregam o rim, contribuem para o desenvolvimento da obesidade, predispõem à diarreia e à cárie dentária, não suprem as necessidades de ácidos graxos essenciais, vitaminas e oligoelementos. Além desses riscos, o contato precoce com o leite de vaca pode ocasionar a hipersensibilidade às proteínas do leite, predispondo à alergia, infecção e anemia, uma vez que surgem micro-hemorragias intestinais (CASTILHO; FILHO, 2010).

As fórmulas em pó dominam atualmente o mercado de substitutos do leite materno praticamente em todo o mundo. A preferência por elas se solidificou à medida que se tornaram mais solúveis. A alimentação infantil, natural ou artificial, sempre foi determinada e condicionada pelo valor social atribuído à amamentação (CASTILHO; FILHO, 2010).



A alimentação complementar adequada da criança amamentada torna-se um componente essencial para a segurança alimentar e nutricional. É necessária a intervenção e o aconselhamento na alimentação infantil por parte do nutricionista, pois a maioria das crianças iniciam a alimentação complementar de forma errônea, podendo repercutir negativamente sobre a sua saúde, podendo acarretar em doenças futuramente, o que contribui para aumentar os gastos com a saúde no país (MORO; SARTORI, 2010).

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