Blog da Magda Vieira; Nutrição, Saúde e Bem-Estar

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO PARA A FAMÍLIA CRESCER


Causas de infertilidade em homens e mulheres, tratamentos para engravidar e a dieta da cegonha tem sido temas tratado com regularidades. “A família quer crescer”. A infertilidade é definida como a falha em conceber após um ano de relação sexual sem métodos contraceptivos com o mesmo parceiro. Se a gravidez não ocorre após um período maior que um ano, o casal deve ser tratado como subfértil. Eventualmente, um homem subfértil pode engravidar uma mulher super fértil. Quando o assunto é fertilidade, vários aspectos precisam ser avaliados, sendo importante considerar também a dieta e a composição corporal.

A reprodução humana é profundamente afetada pelo IMC. Além de diminuir a idade da primeira menstruação, a obesidade exerce influências negativas no ciclo menstrual ao longo da vida: contribui para a anovulação e subfecundação e pode aumentar o risco de aborto. Níveis de insulina e LH elevados, razão FSH-LH anormal, progesterona na fase luteínica baixa compõem um perfil hormonal comum entre mulheres obesas, que contribui para a anovulação.

A obesidade não é um problema apenas para as mulheres. No homem, o excesso de peso tem sido relacionado à subfecundidade e à menor qualidade do sêmen. O acompanhamento de vários casais para avaliar o impacto do IMC na fertilidade mostrou que existe sim risco aumentado de subfecundidade quando o peso não está adequado. Quando o IMC do homem e da mulher está na faixa de normalidade, (18,5-24,99 kg/m2) as chances de problemas de fecundidade são menores. Porém, quando ambos estão com IMC entre 25-29,99 kg/m2, classificados como sobrepeso, existe 41% de chances de subfecundidade. Em compensação, quando o IMC de ambos está na faixa de obesidade (≥ 30 kg/m2) essa chance sobe para 174%. Portanto, para casais que estão tentando engravidar e não conseguem, é possível que a perda de peso de ambos possa ajudar a acertar o alvo.


Além disso, indivíduos obesos podem apresentar níveis elevados de homocisteína, uma vez que a maioria apresenta resistência à insulina ou ingere uma dieta com alto índice glicêmico, fatores que tendem a aumentar os níveis de homocisteína no sangue. A homocisteína é um aminoácido que, quando em níveis elevados, tem sido associada com a ocorrência de abortos. Vários fatores influenciam seus níveis sanguíneos como idade, sexo, hormônios esteroides, inflamação crônica, consumo de café, atividade física e deficiências nutricionais. As vitaminas B6, B12 e ácido fólico são importantes na regulação dos níveis de homocisteína, além de participarem da renovação dos tecidos e proliferação celular. Todos os processos envolvidos nas funções reprodutivas da mulher como o desenvolvimento do óvulo, a preparação do endométrio (parede do útero), a implantação do embrião e a própria gestação podem ser prejudicados pela deficiência dessas vitaminas, principalmente de ácido fólico, que está mais associado ao acúmulo de homocisteína. Dessa forma, a mulher pode não ser capaz de conceber uma criança como resultado de distúrbios na qualidade do óvulo ou na maturação endometrial resultante de metabolismo de ácido fólico prejudicado.

Os resultados de um estudo mostraram a influência genética no metabolismo do ácido fólico. Variações nos genes (polimorfismos) das vias que o ácido fólico participa poderiam ser uma das razões para complicações da fertilidade em mulheres com ovulação e níveis hormonais normais. A influência de uma única variação na sequência dos genes pode ser fraca, mas pode se tornar evidente quando há coexistência com outros polimorfismos ou no caso de deficiência dietética de ácido fólico. Em outro estudo, mulheres com mutação no gene que expressa a enzima que contribui para manter os níveis de homocisteína normais, após suplementação durante 1 mês de ácido fólico e vitamina B6, apresentaram níveis de homocisteína normais, e 3 meses depois a maioria delas engravidou e manteve a gestação. As fontes alimentares dessas vitaminas incluem gérmen de trigo, aveia, banana, atum, carnes, tofu, folhas verdes escuras, brócolis, couve-flor, repolho, cereais integrais, ovos e levedo de cerveja.

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é outro problema relacionado com desordens ovulatórias, oligomenorréia, hiperandrogenismo, infertilidade e aumento de abortos em mulheres. Está frequentemente associada com resistência à insulina, e os níveis circulantes elevados desse hormônio impediriam a ovulação. Portanto, a modulação dos níveis de insulina por meio de uma dieta adequada e até com uso de suplementos seria interessante, tanto em mulheres com excesso de peso quanto SOP. De um grupo de 15 obesas com SOP e relato de anovulação e hiperandrogenismo, a maioria apresentou níveis de vitamina D deficientes, e a suplementação dessa vitamina melhorou a secreção e a ação da insulina. Em outro estudo, cientistas avaliaram os níveis de vitamina D no sangue e no fluido do folículo em mulheres submetidas a fertilização in vitro. Observaram que os níveis dessa vitamina no folículo refletem os níveis sanguíneos, e que mulheres com maiores níveis de vitamina D são mais propensas a atingir a gravidez clínica após transferência do embrião fertilizado in vitro. A vitamina D parece regular a expressão de um gene endometrial crítico para o processo de implantação. Um banho de sol e consumo de alimentos ricos em vitamina D (ovo, peixes, manteiga) podem ajudar a diminuir a resistência insulínica e permitir a ovulação.

O estresse oxidativo causado pelo excesso de radicais livres também tem efeitos negativos na fertilidade. Mulheres com endometriose parecem produzir radicais livres em maior quantidade que outras pacientes. Nesse sentido, os antioxidantes seriam importantes para modular esse excesso. A fama da vitamina E como vitamina da fertilidade não é à toa, uma vez que é um dos principais antioxidantes da dieta. Em relação aos homens, a contagem de espermatozóides, a motilidade e a morfologia são parâmetros para estimar a sua fertilidade. O baixo consumo de antioxidantes dietéticos associou-se com menor motilidade do esperma. Além disso, homens inférteis consumiam menos do que 5 porções diárias de frutas e vegetais ,refletindo baixa ingestão de vitamina C. Maior ingestão de carboidratos, fibras, ácido fólico, vitamina C e licopeno (presente principalmente no tomate), e menores de proteína e gordura foi observada em homens férteis. Espermatozoides humanos são particularmente sensíveis aos danos por radicais livres porque contêm alta concentração de ácidos graxos poli-insaturados, mais susceptíveis ao ataque desses radicais. Antioxidantes como a vitamina E, vitamina C e carotenoides podem combater os radicais livres e manter a integridade das células do esperma por prevenir os danos oxidativos ao DNA dessas células. O zinco também tem papel importante no desenvolvimento testicular normal, espermatogênese e motilidade, além de fazer parte do sistema antioxidante enzimático do organismo. Sintomas clínicos da deficiência de zinco incluem queda de cabelo, lesões de pele, cicatrização demorada, disfunção do sistema imune e hipofunção dos órgãos sexuais alterando os níveis hormonais.

Portanto, os dados de estudos com homens e mulheres são compatíveis com a hipótese de que o estresse oxidativo associado com aumento da geração de radicais livres e redução da capacidade antioxidante é negativamente correlacionada com os parâmetros masculinos e femininos de fertilidade. Todos os estudos apresentados reforçam a necessidade do controle de peso a partir de uma dieta colorida, rica principalmente em compostos antioxidantes, vitaminas do complexo B, vitamina D e zinco. A necessidade de suplementação de vitaminas e minerais deve ser avaliada para cada caso, mas independente disso, a alimentação equilibrada em quantidade e qualidade é um requisito básico.


** Texto elaborado pela Dra. Tatiana Fiche, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

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